Politica - 22/04/2021 - 11:06:52

 

"Zona vermelha": Brasil é rebaixado em ranking mundial de liberdade de imprensa

"Zona vermelha": Brasil é rebaixado em ranking mundial de liberdade de imprensa

 

por Anderson Scardoelli .

Foto(s): Divulgação / ONG Repórteres Sem Fronteiras

 

Levantamento da ONG Repórteres sem Fronteiras

Levantamento da ONG Repórteres sem Fronteiras


Relatório apresentado nesta semana pela organização não governamental (ONG) Repórteres Sem Fronteiras trouxe novidade negativa para o Brasil perante o mundo em relação à prática jornalística. Isso porque a edição 2021 do “Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa” mostra que o Brasil foi rebaixado. Agora, o país está na “zona vermelha” da classificação, que conota a dificuldade do trabalho da mídia em determinada localidade.

Com o rebaixamento na análise da ONG, o Brasil passa a ter companhias de países como Nicarágua, Rússia, Filipinas, Índia, Turquia, Venezuela e Sudão. Com a queda, o Brasil passou a ficar atrás de nações como Bolívia, Guiné e Moçambique na lista que se propõe a alertar para as dificuldades da prática jornalística pelo mundo.

Anteriormente, o Brasil estava enquadrado pela Repórteres Sem Fronteiras como integrante da “zona laranja”, o que representava algo como “sensível” em relação ao trabalho da imprensa. Diante do rebaixamento enfrentado neste ano, o país acumula quatro quedas consecutivas no ranking. Da 102ª colocação em 2018, passou para a atual 111ª posição — de 180 países e territórios mapeados pela ONG internacional.

Tentou por todos os meios minimizar a escala da pandemia, gerando inúmeras tensões entre as autoridades e os meios de comunicação nacionais”

No relatório, a equipe da própria entidade chega a mencionar o presidente brasileiro. De acordo com o material divulgado pela ONG, Bolsonaro e equipe ajudaram o Brasil a cair no ranking, sobretudo por não comunicar de forma simples e transparente dados relacionados aos números da pandemia da Covid-19. “O acesso aos números oficiais sobre a epidemia tornou-se extremamente complexo devido à falta de transparência do governo de Jair Bolsonaro”, diz trecho do relatório. “[Ele] tentou por todos os meios minimizar a escala da pandemia, gerando inúmeras tensões entre as autoridades e os meios de comunicação nacionais”.

Bolsonaro e família

A atuação diante da pandemia não foi o único ponto observado pela Repórteres Sem Fronteiras ao criticar o mandatário brasileiro. A ONG destacou que pessoas próximas ao presidente da República, principalmente seus familiares, têm histórico de atacar verbalmente o trabalho de profissionais da imprensa e meios de comunicação.

“Insultam e difamam jornalistas e meios de comunicação quase que diariamente”

“O presidente Bolsonaro, seus filhos que ocupam cargos eletivos e vários aliados dentro do governo insultam e difamam jornalistas e meios de comunicação quase que diariamente, escancarando o desapreço pelo trabalho jornalístico”, reclamam publicamente os organizadores do relatório, que foi oficialmente divulgado em live que contou com a participação da jornalista Patrícia Campos Mello. Diretora da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e repórter especial da Folha de S. Paulo, ela processo Bolsonaro ao ser alvo de comentário por parte do presidente. Em primeira instância, o político foi condenado a pagar indenização de R$ 20 mil.

Extremos

Mesmo inserido na “zona vermelha”, o Brasil não está necessariamente no extremo negativo do ranking da ONG Repórteres Sem Fronteiras, pois ainda há a “zona preta”, para representar “situação grave”. De acordo com a entidade, as cinco piores posições na questão de liberdade de imprensa são ocupadas por Djibuti (176), China (177), Turcomenistão (178), Coreia do Norte (179) e Eritreia (180).

Pelo extremo positivo, o quinteto de países na liderança do ranking de liberdade de imprensa é formado por quatro nações nórdicas e um país da América Central: Costa Rica (5º), Dinamarca (4º), Suécia (3º), Finlândia (2º) e Noruega (1º). Além deles, outros sete países foram classificados na “zona branca”, onde o trabalho da mídia é definido em “boa situação”.

Imprensa na Zona Vermelha
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