O presidente Donald Trump anunciou que os Estados Unidos iniciarão ações terrestres contra narcotraficantes venezuelanos muito em breve.
Em conversa com militares no Dia de Ação de Graças, ele afirmou: "Vocês provavelmente já perceberam que as pessoas já não querem entregar por mar, e nós vamos começar a impedi-los por terra. Por terra é mais fácil, e isso vai começar muito em breve".
Trump destacou que operações marítimas no Caribe reduziram o tráfico em cerca de 85%, com mais de 20 embarcações destruídas desde setembro, resultando em pelo menos 83 mortes. A escalada faz parte da Operação Southern Spear, que mobiliza porta-aviões como o USS Gerald R. Ford, bombardeiros B-52 e 15 mil tropas na região.
Nicolás Maduro reagiu declarando estado de prontidão das forças armadas e acusando os EUA de preparar uma invasão sob pretexto antidrogas. Autoridades venezuelanas veem as ações como tentativa de mudança de regime, especialmente após Trump classificar Maduro e o Cartel de los Soles como organização terrorista estrangeira. Maduro já havia oferecido cooperação em setembro para capturar líderes da Tren de Aragua, mas nega envolvimento estatal no tráfico e afirma que 70% das drogas apreendidas na Venezuela são destruídas localmente. O governo chavista mobilizou tropas para guerrilha e reforçou a defesa aérea.
Países vizinhos apresentam posturas contrastantes. A Colômbia, sob Gustavo Petro, critica Trump abertamente: o presidente colombiano chamou o americano de rude e ignorante, rejeitando sanções dos EUA que o ligam ao narcotráfico e alertando para impactos transfronteiriços de operações da CIA. Petro enfatiza que o fentanil, principal problema nos EUA, vem do México, não da Venezuela.
O Brasil adota tom cauteloso com Lula defendendo soberania nacional no combate às drogas, sem confronto direto, mas destacando respeito à legislação interna. A Guiana, em disputa territorial com Caracas pelo Essequibo, recebe apoio tácito dos EUA via exercícios militares conjuntos, vendo na pressão americana uma contenção a Maduro.
Analistas de direita apoiam a firmeza de Trump como necessária para proteger cidadãos americanos do veneno das drogas. "Trump está salvando vidas ao deter narcoterroristas que Maduro protege", diz um comentador conservador, elogiando a transição para terra após sucessos marítimos.
Do lado esquerdo, as ações são vistas como imperialismo disfarçado para controlar petróleo venezuelano.
"Trump usa o narcotráfico como desculpa para derrubar Maduro e apoderar-se das reservas", argumenta um pesquisador progressista, apontando precedentes perigosos para a América Latina.
A ONU qualificou ataques marítimos como possíveis execuções extrajudiciais, ampliando o debate.
(*) Com informações das fontes: New York Times, DW, El País, Reuters, CNN, Al Jazeera, Agência Brasil, G1 Globo, RTP, Gazeta do Povo, Brasil de Fato, CNN Brasil, BBC.