O candidato do Partido Socialista, António José Seguro, venceu o segundo turno da eleição presidencial de Portugal em 8 de fevereiro de 2026. Com 99,20% das seções apuradas, Seguro registrou 3.482.481 votos, o que corresponde a 66,82% dos votos válidos. Seu oponente, André Ventura, líder do partido Chega, alcançou 1.729.381 votos, totalizando 33,18%. Este resultado encerra o período sem presidentes socialistas no Palácio de Belém, situação que perdurava desde 2006.
O comparecimento às urnas registrou 50,11% do eleitorado, com 10.942.173 eleitores inscritos. Do total de 5.483.382 votos computados, 5.211.862 foram considerados válidos, 97.714 inválidos e 173.806 em branco. A abstenção alcançou aproximadamente 49,89% dos eleitores aptos.
No primeiro turno, realizado em 18 de janeiro de 2026, Seguro liderou a disputa com 1.755.563 votos, correspondentes a 31,11% dos votos válidos, enquanto Ventura obteve 1.327.021 votos, ou 23,52%. A participação no primeiro turno foi de 52,39%, com 11.009.803 eleitores registrados e 5.768.536 votos totalizados.
Trajetória política de Seguro
António José Seguro, 63 anos, possui formação em Relações Internacionais e mestrado em Ciência Política pelo ISCTE. Atuou como docente universitário na Universidade Autónoma de Lisboa e no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Sua carreira política iniciou-se nas Juventudes Socialistas, onde exerceu a função de secretário-geral.
Entre 1995 e 1997, Seguro ocupou o cargo de secretário de Estado da Juventude no governo de António Guterres. Foi eleito deputado ao Parlamento Europeu em 1999, função que exerceu até 2001, quando retornou a Portugal para assumir como ministro-adjunto do primeiro-ministro até abril de 2002. Posteriormente, presidiu a bancada parlamentar do Partido Socialista na Assembleia da República e dirigiu o Gabinete de Estudos do PS entre 2002 e 2004.
Em 2011, após a derrota do Partido Socialista nas eleições legislativas, Seguro foi eleito secretário-geral do PS com 68% dos votos, sucedendo José Sócrates. Exerceu essa função até 2014, quando perdeu a liderança do partido para António Costa. Seguro afastou-se dos holofotes políticos por uma década antes de retornar como candidato presidencial em 2026, apresentando-se como representante de uma esquerda moderada.
Sistema político e atribuições presidenciais
Portugal adota um sistema semipresidencialista, no qual o Poder Executivo é dividido entre o presidente da República, chefe de Estado, e o primeiro-ministro, chefe de governo. O presidente é eleito por sufrágio universal direto para um mandato de cinco anos, podendo ser reeleito uma vez consecutivamente. Para vencer no primeiro turno, o candidato deve obter mais de metade dos votos válidos; caso contrário, realiza-se um segundo turno com os dois candidatos mais votados.
As principais atribuições do presidente incluem a nomeação e exoneração do primeiro-ministro, considerando os resultados eleitorais, a nomeação dos demais membros do governo sob proposta do primeiro-ministro, e o comando supremo das Forças Armadas. O presidente possui poder fiscalizador sobre o governo, podendo destituí-lo caso julgue que o Executivo não está cumprindo suas funções adequadamente, além de poder dissolver a Assembleia da República em situações excepcionais. Também cabe ao presidente promulgar leis, decretos-leis e convenções internacionais, proclamar estado de sítio ou de emergência após consulta ao governo e autorização da Assembleia da República, e conceder indultos.
Desempenho de Ventura e ascensão da extrema direita
André Ventura fundou o partido Chega em abril de 2019, após deixar o Partido Social Democrata, formação conservadora pela qual foi candidato à presidência da Câmara Municipal de Loures em 2017. O Chega consolidou-se como terceira força política portuguesa nas eleições legislativas de março de 2024, saltando de 12 para 48 deputados no Parlamento e obtendo 18,06% dos votos, equivalente a mais de um milhão de eleitores.
Na eleição presidencial de 2026, Ventura ficou em segundo lugar nos dois turnos. No primeiro turno, conquistou 20 dos 308 municípios portugueses, especificamente Faro e a região da Madeira, além de vencer entre os eleitores no exterior. No segundo turno, apesar da derrota nacional, manteve a maioria entre os votos do exterior. O candidato da extrema direita baseou sua campanha em discurso nacionalista e anti-imigração, com críticas direcionadas especialmente a ciganos, muçulmanos e beneficiários de programas sociais.
Outros candidatos do primeiro turno
O primeiro turno contou com 11 candidatos. João Cotrim de Figueiredo, deputado do Parlamento Europeu pela Iniciativa Liberal, partido de centro-direita, obteve 903.057 votos, representando 16% dos votos válidos. Henrique Gouveia e Melo, almirante que concorreu como independente, alcançou 695.377 votos, ou 12,32%. Luís Marques Mendes, do Partido Social Democrata, coligação de centro-direita que tradicionalmente disputava a presidência com os socialistas, ficou em quinto lugar com 637.442 votos, correspondentes a 11,30%.
Os candidatos de esquerda Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, e António Filipe, do Partido Comunista Português, obtiveram respectivamente 116.407 votos (2,06%) e 92.644 votos (1,64%). Jorge Pinto, do partido LIVRE, recebeu 38.588 votos (0,68%). Os candidatos independentes Manuel João Vieira, André Pestana e Humberto Correia somaram conjuntamente 76.597 votos. Após a votação do primeiro turno, Martins, Filipe e Pinto declararam apoio a Seguro para o segundo turno.
Distribuição geográfica dos votos
No primeiro turno, Seguro venceu em 225 dos 308 municípios portugueses e em 18 dos 20 distritos do país. Ventura conquistou 80 municípios, enquanto Marques Mendes venceu em apenas três. No segundo turno, Seguro ampliou seu domínio territorial, vencendo em 303 dos 308 municípios e em todos os 20 distritos portugueses, consolidando uma vitória geograficamente abrangente. Ventura manteve vantagem apenas entre os eleitores residentes no exterior, segmento no qual já havia vencido no primeiro turno.
A abstenção no segundo turno superou 50% do eleitorado, refletindo o caráter não obrigatório do voto em Portugal. Esta foi apenas a segunda vez em quatro décadas que o país realizou um segundo turno presidencial, evidenciando a fragmentação do cenário político português.
Discurso da vitória e perspectivas
Após a confirmação dos resultados, Seguro pronunciou seu primeiro discurso como presidente eleito, afirmando que prometia estabilidade política e cooperação institucional com o governo, ao mesmo tempo em que se posicionava como um presidente exigente. No primeiro turno, havia declarado que estava livre e sem amarras, afirmando que não havia perdedores porque todos eram democratas.
Ventura, em seu discurso de derrota, reconheceu os resultados, mas afirmou que o Chega lidera o espaço não socialista em Portugal e que os resultados representam um caminho para eventualmente liderar o governo do país. Durante a campanha do primeiro turno, havia criticado o socialismo, declarando que o socialismo mata e corrompe.
O mandato de Seguro terá duração de cinco anos, período no qual exercerá as funções de chefe de Estado português, substituindo Marcelo Rebelo de Sousa, que ocupou a presidência desde 2016 e não pôde concorrer novamente por ter cumprido dois mandatos consecutivos.
(*) Com informações das fontes: G1, Comissão Nacional de Eleições de Portugal, Wikipedia, RTP Notícias, SBT News, O Povo, Tribuna do Sertão, CNN Brasil, Parlamento de Portugal, Infobae, Infomoney, Presidência da República Portuguesa.